Reunião
Lacanoamericana de
Psicanálise

 
18 a 21 de outubro de 2017

Rio Othon Palace| Rio de Janeiro| RJ

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Convocatória


No momento em que se preparava para deixar Paris para vir, pela primeira e única vez em sua vida à América do Sul, Lacan dirigiu-se aos psicanalistas de sua escola anunciando sua vinda com as seguintes palavras:

"...Estou indo, vejam vocês, para a Venezuela!
Esses latino-americanos, como se diz, que nunca me viram, diferentemente daqueles
que estão aqui, nem me ouviram de viva voz, pois bem, isso não os impede de serem
lacano. Parece que isso antes os ajuda. Eu me transmiti por lá pelo escrito, e parece
que criei raiz. Em todo caso, eles acreditam nisso.
É certo o futuro está aí, e é nisso que me interessa ir lá conferir. Interessa-me ver o
que acontece quando a minha pessoa não oblitera o que eu ensino. Pode bem ocorrer
que meu matema ganhe com isso. Nada garante que, se eu gostar, não ficarei na
Venezuela. Vocês vêem porque eu gostaria de lhes dizer adeus.
Vocês não imaginam a quantidade de pessoas às quais isso desagrada, que eu me
meta por lá, e que a isso eu tenha convocado meus lacano-
americanos.
Isso irrita aqueles que estavam tão bem ocupados em me representar
que basta que eu me apresente para que eles percam o pé da coisa.
Vou, portanto, saber das coisas por lá, mas evidentemente voltarei."

 

Em meio a essas palavras que afirmam que em nosso continente latino-americano seu ensino é lido, criou raiz, não é opacizado por sua pessoa, e que, assim, "é o futuro" que ele deseja conferir in loco, ele profere estes termos, os meus lacanoamericanos.

 

Entendemos que esse dizer de Lacan faz ecoar uma dimensão política extremamente importante: qual é o nosso lugar, como latino/lacanoamericanos, nos desdobramentos do movimento psicanalítico, no devir do ensino de Lacan? Os colegas psicanalistas que, àquela época, receberam esta transmissão do próprio Lacan, em Caracas, recolheram este significante e, cinco anos depois, realizaram aquela que foi a primeira Reunião Lacanoamericana de Psicanálise, em Punta del Este, Uruguay, 1986. Desde então, a cada dois anos (com exceção do intervalo entre 1988 e 1989, quando se realizou uma nova Lacanoamericana um ano após a anterior, o que fez com que as reuniões tenham passado a acontecer em anos ímpares) a Reunião é realizada em alguma cidade do nosso continente lacanoamericano, alternando-se entre Argentina, Uruguay e Brasil. Em 2015 ela foi realizada em Montevideo e lá, como sempre acontece, na Assembléia de Dissolução, decidiu-se que a próxima, em 2017, será realizada no Rio de Janeiro, cidade com expressiva presença do ensino de Lacan e que tem uma ampla e diversificada comunidade psicanalítica institucional mas que, apesar disso, nunca havia, até agora, recebido e realizado a Lacano, como intimamente a denominamos.

 

E agora, com muita alegria por parte das duas Escolas que a estão organizando, o Rio de Janeiro receberá os colegas - todos lacanoamericanos - sendo contudo latinoamericanos, europeus, norte-americanos e tutti quanti vierem, por quatro dias, trabalhar juntos naquela que será a REUNIÃO LACANOAMERICANA DE PSICANÁLISE DO RIO DE JANEIRO/2017, que já tem um apelido: LacanoRio, que faz jogo homofônico com Lacan no Rio, como convém.

 

A LacanoRio ocorrerá nos dias 18, 19, 20 e 21 de outubro de 2017 no Othon Palace Hotel, na Praia de Copacabana, onde nós, organizadores, estamos providenciando tarifas especiais para hospedagem dos participantes que lá desejarem instalar-se, de frente para o mar de Copacabana e com a atenção voltada para a transmissão ampla, diversificada, feita em nome próprio de cada psicanalista que inscrever trabalho.

 

A fecunda interlocução a partir da diversidade de interesses, já que nela não há tema prévio, vem se constatando frutífera em termos de enlaces de trabalho tanto a partir de diferenças como de concordâncias, e isso vem gerando rico intercambio discursivo.

 

Este trabalho é viabilizado por um dispositivo rigoroso que há trinta anos rege a Reunião: ela se abre e se dissolve ao final, conta com um número significativo de instituições ditas convocantes porque sustentam materialmente, a partir de outra lógica que não a capitalista, por seu desejo, a cada vez, a realização da Reunião.

 

As Reuniões Lacanoamericanas não fazem série ordinal  - não são contadas como "primeira, segunda, terceira, etc.", levando apenas o nome da cidade em que se realiza, seus participantes são identificados e credenciados por seu nome próprio e cidade em que trabalham, nada mais. Acolhem tantos trabalhos quantos forem inscritos, sem seleção ou critério exterior ao do próprio autor - que assim, se responsabiliza integralmente pelo que transmite. Os trabalhos são apresentados em mesas de dois, sequencialmente, o primeiro a apresentar passando a palavra ao segundo, sempre com a duração de 30 minutos para cada apresentação, e a marcação temporal é regulada por um sistema luminoso - luz verde nos primeiros 20 minutos, amarela do vigésimo até o trigésimo minuto e vermelha para assinalar o término do tempo, impreterível. A manutenção deste dispositivo é posta em questão a cada Assembleia de Dissolução, que sempre reafirma sua escolha e seu desejo de mantê-lo inalterado, e isso ocorre há 30 anos.

 

Este dispositivo põe em relevo a suspensão da palavra tida como oficial, a homogeneidade massificada, as hierarquias idealizadas, as fronteiras institucionais e os efeitos de fascinação de certos discursos.

 

A Lacanoamericana supõe um movimento de instituições não regidas por um modelo, por isso a condição de veterana de uma instituição, como convocante, não gera privilégio algum.  Estas reuniões são sempre abertas à entrada de novas associações, em especial aquelas que se interessem por transitar um caminho próprio e que possuam problemáticas e interrogantes que mantenham alguma relação com o que chamamos lacanoamericanos. As instituições que desejarem ser convocantes por sua posição em relação ao ensino de Freud e de Lacan poderão enviar seu pedido à Comissão Organizadora.

 

Após esta primeira Convocatória, a Comissão Organizadora da Reunião Lacanomaericana de Psicanálise do Rio de Janeiro/2017 enviará as informações operacionais a todas as instituições que, em Montevideo, declararam-se convocantes da LacanoRio, bem como a todas as instituições brasileiras que se inscrevem na herança do ensino de Lacan, e aos colegas psicanalistas que pudermos alcançar com nossas palavras de convocação. Nessas novas informações constarão os períodos e datas-limite para cada etapa (da inscrição, envio de trabalho, reserva de hospedagem, etc.), valores de inscrição, normas que deverão ser observadas no envio dos trabalhos, além do endereço do site da LacanoRio, através do qual qualquer outra informação poderá ser prestada e qualquer dúvida esclarecida.

 

Antes de concluir esta Convocatória primeira, gostaríamos de assegurar a todas as instituições convocantes que todos os esforços estão sendo empenhados no sentido de que tenhamos o menor custo operacional possível dentro de condições de trabalho e conforto que julgamos adequadas à realização de uma Reunião do porte da Lacanoamericana (quatro dias de trabalho, várias salas simultâneas, condições de hospedagem e localização que permita boa circulação na cidade, etc.).

 

Mas para efetivamente concluirmos este texto, não poderíamos deixar de expressar nosso mais firme desejo de que o maior número de colegas de todos os países (sejam os que tradicionalmente participam das Reuniões Lacanomaericanas, sejam os que porventura venham dela participar pela primeira vez) sintam-se convocados ao desejo de trabalhar juntos nos quatro dias que, a cada dois anos, nós nos damos para esta empreitada.

Comissão Organizadora (composta por membros das duas Escolas organizadoras da LacanoRio: O Laço Analítico Escola de Psicanálise e a Práxis Lacaniana Formação em Escola, nomeados abaixo em ordem alfabética):
Antonia Portela Magalhães - Práxis Lacaniana
Iaci Torres Pádua - Práxis Lacaniana
Isabel Martins Considera - Práxis Lacaniana
Laura de Araújo Geszti - Laço Analítico
Luciano Elia - Laço Analítico
Matheus Dias Pereira - Laço Analítico


Lacan, J. - Le malentendu, ”, in: Le séminaire, livre 27:  Dissolution (1979 – 1980). Leçon du 10 Juin 1980. Ornicar?, Nº 22 – 23: 12.

 


 

En el momento en que se preparaba para dejar Paris y venir, por primera y única vez en su vida a América del Sur, Lacan se dirigió a los psicoanalistas de su escuela anunciando su llegada con las siguientes palabras:

 

"…me voy, así no más, a Venezuela.
Esos latinoamericanos, como dicen, que nunca me han visto,
a diferencia de los que están aquí, ni escuchado de viva voz, pues bien,
eso no les impide ser lacanos. Parece que más bien ayuda.
Me transmití allá por lo escrito, y dicen que eché raíces. En todo caso, eso creen.
De seguro, es el porvenir. Y por eso, ir a ver, me interesa. Me interesa ver qué pasa
cuando mi persona no hace de pantalla a lo que enseño.
Es muy posible que le sea de provecho mi matema.
¿Quién dice que si me gusta me quedo allá, en Venezuela?
Ven por qué quería despedirme.
No se imaginan la cantidad de gente a la que eso embroma que
me asome por allá, y que haya convocado a mis lacanoamericanos.
Embroma a quienes se habían ocupado tanto de representarme
que basta con que me presente para que no den pie con bola.
Voy, pues, a instruirme allá, pero evidentemente voy a volver."

 

En medio de esas palabras que afirman que en nuestro continente latinoamericano su enseñanza se lee, echó raíces, no es opacada por su persona y que, así, “es el futuro” que él desea conferir in situ, él profiere estos términos, mis lacanoamericanos.

 

Entendemos que este decir de Lacan hace eco en una dimensión política extremamente importante: ¿cuál es nuestro lugar, como latino/lacanoamericanos, en los desdoblamientos del movimiento psicoanalítico, en el devenir de la enseñanza de Lacan?  Los colegas psicoanalistas que, en aquella época, recibieron esta transmisión del propio Lacan, en Caracas, recogieron este significante y, cinco años después, realizaron aquella que fue la primera Reunión Lacanoamericana de Psicoanálisis, en Punta del Este, Uruguay, 1986. Desde entonces, cada dos años (con excepción del intervalo entre 1988 y 1989, cuando se realizó una nueva Lacanoamericana un año después de la anterior, lo que hizo con que las reuniones comiencen a ocurrir en años impares) la Reunión se realiza en alguna ciudad de nuestro continente lacanoamericano, alternando entre Argentina, Uruguay y Brasil.

 

En 2015 fue realizada en Montevideo y allí, como siempre ocurre, en la Asamblea de Disolución, se decidió que la próxima, en 2017, será realizada en Rio de Janeiro, ciudad con expresiva presencia de la enseñanza de Lacan y que tiene una amplia y diversificada comunidad psicoanalítica institucional, pero que, a pesar de eso, nunca había, hasta ahora, recibido y realizado la Lacano, como la denominamos íntimamente.

 

Y ahora, con mucha alegría por parte de las dos Escuelas que están organizando, Rio de Janeiro recibirá los colegas – todos lacanoamericanos – siendo en realidad latinoamericanos, europeos, norteamericanos y tutti quanti vengan, por cuatro días, a trabajar juntos en aquella que será la REUNIÓN LACANOAMERICANA DE PSICOANÁLISIS DE RIO DE JANEIRO/2017, que ya tiene un apodo: LacanoRio, que hace juego homofónico con “Lacan no Rio (Lacan en Rio)”, como conviene.

 

La LacanoRio se realizará los días 18, 19 20 y 21 de octubre de 2017 en el Othon Palace Hotel, en la Playa de Copacabana, donde nosotros, los organizadores, estamos consiguiendo tarifas especiales para el alojamiento de los participantes que allí deseen hospedarse, frente al mar de Copacabana y con la atención puesta en la transmisión amplia, diversificada, hecha en nombre propio de cada psicoanalista que inscriba trabajo.
La fecunda interlocución a partir de la diversidad de intereses, ya que en ella no hay tema previo, viene resultando fructífera en términos de enlaces de trabajo tanto a partir de diferencias como de concordancias, eso viene generando un rico intercambio discursivo.

 

Este trabajo es viabilizado por un dispositivo riguroso que hace treinta años rige la Reunión: esta se abre y se disuelve al final, cuenta con un número significativo de instituciones llamadas convocantes porque sustentan materialmente, a partir de otra lógica que no es la lógica capitalista, por su deseo, cada vez, la realización de la reunión.

 

Las Reuniones Lacanoamericanas no hacen serie ordinal – no son contadas como “primera, segunda, tercera, etc.”, llevando apenas el nombre de la ciudad en que se realizan, sus participantes son identificados y acreditados por su nombre propio y ciudad en que trabajan, nada más. Acogen tantos trabajos cuantos sean inscriptos, sin selección o criterio exterior al del propio autor – que así, se responsabiliza integralmente por lo que transmite. Los trabajos son presentados en mesas de dos, secuencialmente, el primero que presenta le pasa la palabra al segundo, siempre con duración de 30 minutos para cada presentación, y el control del tiempo es regulado por un sistema luminoso – luz verde los primeros 20 minutos, amarilla del vigésimo hasta el trigésimo minuto y roja para señalizar el final del tiempo, indeclinable. El mantenimiento de este dispositivo se coloca en cuestión en cada Asamblea de Disolución que siempre reafirma su elección y deseo de mantenerlo inalterado, y eso ocurre hace 30 años.

 

Este dispositivo pone en relieve la suspensión de la palabra considerada como oficial, de la homogeneidad masificada y de las jerarquías idealizadas, las fronteras institucionales y los efectos de fascinación de ciertos discursos.

 

La Lacanoamericana supone un movimiento de instituciones no regidas por un modelo, por eso la condición de veterana de una institución, como convocante, no genera ningún privilegio. Estas reuniones son siempre abiertas a la entrada de nuevas asociaciones, en especial aquellas que se interesan por transitar un camino propio y que cuenten con problemáticas e interrogantes que mantengan alguna relación con lo que llamamos lacanoamericanos. Las instituciones que deseen ser convocantes por su posición en relación a la enseñanza de Freud y Lacan podrán enviar su pedido a la Comisión Organizadora.

 

Luego de la primera Convocatoria, la Comisión Organizadora de la Reunión Lacanoamericana de Psicoanálisis de Rio de Janeiro/2017 enviará las informaciones operacionales a todas las instituciones que, en Montevideo, se declararon convocantes de la LacanoRio, bien como a todas las instituciones brasileras que se inscriban en la herencia de la enseñanza de Lacan, a los colegas psicoanalistas que podamos alcanzar con nuestras palabras de convocación. En esas nuevas informaciones constarán los períodos y fechas límite para cada etapa (inscripción, envío de trabajo, reserva de hospedaje, etc.), valores de inscripción, normas de deberán ser respetadas en el envío de los trabajos, además de la dirección del site de la LacanoRio, a través del cual, cualquier otra información podrá ser dada y cualquier duda aclarada.

 

Antes de concluir esta primera Convocatoria, nos gustaría asegurar a todas las instituciones convocantes que están siendo empeñados todos los esfuerzos en el sentido de que tengamos el menor costo operacional posible dentro de condiciones de trabajo y confrontación que juzgamos adecuadas a la realización de una Reunión del porte de la Lacanoamericana (cuatro días de trabajo, varias salas simultaneas, condiciones de hospedaje y localización que permitan buena circulación en la ciudad, etc.).

 

Pero para efectivamente concluir este texto, no podríamos dejar de expresar nuestro más firme deseo de que el mayor número de colegas de todos los países (sean los que tradicionalmente participan de las Reuniones Lacanoamericanas, sean los que por acaso vengan a participar de la misma por primera vez) se sientan convocados al deseo de trabajar juntos en los cuatro días que, cada dos años, nos concedemos con esta gran tarea.

 

 

Comisión Organizadora (compuesta por miembros de las dos Escuelas organizadoras de LacanoRio: Laço Analítico Escola de Psicanálise y Práxis Lacaniana Formação em Escola, cuyos nombres siguen abajo en orden alfabética):

 

Antonia Portela Magalhães - Práxis Lacaniana

Iaci Torres Pádua - Práxis Lacaniana

Isabel Martins Considera - Práxis Lacaniana

Laura de Araújo Geszti - Laço Analítico

Luciano Elia - Laço Analítico

Matheus Dias Pereira - Laço Analítico

 

Lacan, J. - Le malentendu, ”, in: Le séminaire, livre 27:  Dissolution (1979 – 1980). Leçon du 10 Juin 1980. Ornicar?, Nº 22 – 23: 12.